domingo, 13 de dezembro de 2009
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
17º FUC
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Sarau do Barbaquá!
As gravações foram realizadas no dia 16.09.2009
Na edição quis explorar alguns elementos dinâmicos com uma trilha bem marcada, principalmente no início, pra prender atenção do pessoal. Deu certo!
Agradecimento aos que participaram, e, em especial, a Andrew Kramer, que tem os melhores tutoriais que eu já vi!
Hehe...
http://www.youtube.com/watch?v=HWLd56SR_HI
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Editar é escolher
De todas as funções determinadas dentro de uma empresa jornalística, a de maior pressão e responsabilidade é a edição. Claro, esta afirmativa pode subjugar o papel do repórter, ou do diagramador, fotógrafo, motorista, enfim, de todos os ocupantes dos demais cargos dentro da empresa, que, devido a essa promoção do ato de editar acabam circunscritos em uma esfera inferior ou de menor responsabilidade. Não é isso. O peso do cargo de editor advém do leque de responsabilidades a ele atribuídas, que ultrapassam a esfera da notícia. A miscelânea de assuntos que pipocam na cabeça de um editor, reúne desde assuntos de extrema relevância, como a seleção das notícias a serem estampadas na capa da edição, ou a conduta em relação à determinada cobertura, a assuntos menos diretos, mas não menos exigentes, como a relação existente entre os funcionários sob sua tutela com as diretrizes da empresa jornalística. São inúmeras as questões a serem resolvidas, mas o que dificulta ainda mais a vida do editor é que todas estas são rotineiras, fazem parte da cadeia produtiva e possuem significativa importância.
Quando se elucida a função do editor e se esmiúçam suas responsabilidades, podemos nos indagar se é humanamente possível suportar tantas questões bombardeando o universo mental durante de uma reunião de pauta, ao longo de um dia, de um mês, no decorrer de uma vida. Qual a expectativa de vida de um editor? Quantos comprimidos são necessários para que consiga dormir? Toma quantos litros de café por dia para que suporte não dormir? Enfim, estas dúvidas podem martelar a cabeça daqueles que se deparam com a realidade da prática editorial. Uma vida de permanentes conflitos, auto-avaliações, gerências, decisões, escolhas, e o que mais incomoda é saber que existem pessoas que escolhem espontaneamente esta vida para si. Dentro de uma empresa, o cargo de editor é o mais ilustre. O lugar mais alto no pódio. Mas, ele exige tanto, consome tanta energia, que esgota qualquer possibilidade de comemoração, principalmente diante de tantas críticas e insatisfações. Afinal, nunca será suficiente. Haverá descontentamento por parte dos empresários donos do capital investido, por parte dos jornalistas sob sua orientação, dos assinantes de seu material, e do mercado no qual se insere. Para Juarez Bahia, o trunfo do editor é sua própria consciência na hora de dar a última palavra, pois ainda que sensível às ponderações dos que o cercam, estará baseado apenas naquilo que acredita no momento da decisão.
Com tantos apelos humanos, a rotina jornalística é tão rica em termos de conflitos que poderia saciar toda fome dos roteiristas de plantão e, por isso, não passaram despercebidos dos holofotes cinematográficos. Vários são os filmes que contemplam esta rotina com seu fluxo intenso, suas investigações, decisões, e dilemas. Em geral, idealizam-se as pautas e reportagens como grandes aventuras, e o papel do jornalista como algo parecido com o de um super herói. Exemplos disso podem ser observados desde os quadrinhos do belga Hergé, com seu protagonista, Tintim, passando pelas aventuras heróicas de Super-Homem (o contido Clark Kent do Planeta Diário), do Homem Aranha (que tirava fotos pra um tablóide), até universo mais real de Todos os Homens do Presidente, The Paper, Cidade de Deus e, o mais recente, State of Play. Assistir a estes filmes com olhar acadêmico equivale a ponderar sobre a função exercida pelo jornalismo, e pelos atores do universo jornalístico. Em cada uma das histórias podemos notar a forma como são interpretadas a funções e o alcance dos produtores de informação. Além disso, o trato de alguns desses filmes com o produto informação, sugere a quem os assiste a relevância atribuída pelos profissionais da imprensa, bem como a delicadeza com a qual tratam do assunto. Nem todos personificam no editor a síntese dos questionamentos de ordem moral ou psicológica, costumam-se atribuir estes dilemas ao jornalista-repórter. No geral, em filmes de ficção, os editores são tidos como mercenários, capitalistas em busca de uma tiragem maior para seu produto.
Mas é necessário que se saiba que nem sempre é assim. Deve-se humanizar o papel do editor, e desmistificar o jornalista como herói, pois nem sempre este o é. Não existem personagens e condutas definidas, cabe a cada um a construção de suas diretrizes, as quais nortearão sua maneira de produzir. Juarez Bahia defende que a função do editor exige uma longa e solitária jornada, voltada a atender o leitor, ouvinte e espectador com a mesma dedicação de um político ao eleitor, e não só. Sua prioridade, portanto, é o destinatário da notícia, por quem busca superar entre outras coisas os desafios de espaço e tempo. O produto final está sob sua responsabilidade e com esse compromisso o editor se move entre regras cujos extremos são o lucro e a honra. Aos editores cabe fazer com que suas publicações sejam indispensáveis. Ele é quem deve compatibilizar o trabalho coletivo com os prazos industriais estabelecidos pelo horário de fechamento do jornal. Luiz Costa Pereira Júnior afirma que ser editor é um teste de caráter, e acerta em cheio nesta afirmação. Continua, dizendo que é ele quem talvez mais revele de si na operação do próprio trabalho. Pois claro, é por meio de suas decisões e opções que se revela e é o único que tem aval para expor seus direcionamentos. O editor possui o conhecimento do alcance de seu poder tanto internamente quanto externamente à empresa jornalística, o que amplia o grau dos dilemas reinantes em suas reflexões. Publicar ou não publicar? Destacar ou não? Averiguar antes de provocar o furo?
Em alguns casos, é preferível que se “coma barriga”, como no caso Escola Base, onde houve quem deixou de publicar por, a princípio, não atribuir crédito à história. Outro risco que se corre é ser fisgado pelas pautas vindas de assessorias de imprensa. Considerando o universo simbólico da notícia e sua importância no jogo de interesses, cabe ao editor ainda mais que aos jornalistas, orientar de modo consciente a cobertura de pautas sugeridas por releases. É o que se trata no filme Wag the Dog, onde uma guerra fictícia toma o lugar das manchetes na véspera das eleições presidenciais dos Estados Unidos, com a finalidade de desviar a atenção da opinião pública sobre escândalos sexuais na Casa Branca. No filme, a imprensa cai feito pato. A dúvida é quanto dessa manipulação existe no mundo real.
É necessária a renovação permanente das avaliações do fazer jornalístico individual, que essa reflexão faça parte do cotidiano dos jornalistas, pois caso contrário, cai-se na esfera da obviedade proporcionada pelo hábito. Como descreve Luiz Costa, as mesmas broncas recorrentes, o mesmo direcionamento recorrente, proporcionam o engessamento do fazer jornalístico e cria procedimentos padrões que perpetuam a linha editorial dos veículos de comunicação. É contra esse engessamento e esse padrão que deve-se lutar constantemente. Tanto editor quanto repórter, seja por meio da autonomia seletiva quanto do estatuto profissional. Na realidade, não cabe apenas ao editor a função de selecionar, pois peneira muito maior ocorre na produção das pautas. Em jornalismo tudo é seleção. Como uma síntese da vida, esta profissão diz respeito à escolha, decisão, diálogo, compreensão e leitura de mundo. O fluxo intenso resumido na figura do editor pode consolidar essa metáfora. Ele é o responsável pelo jornal, pelas relações internas, externas, com o público, com os concorrentes, com a indústria, com a produção. Acima de tudo, porém, o editor deve ser responsável por si mesmo, pelas suas condutas, escolhas e constante auto-avaliação.
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Só por hoje
Pois bem, agora segue esse post.
Minha querida cunhadinha, Noiva de meu Irmão mais Corinthiano, optou, certa vez, por, durante um dia inteiro, não se deixar estressar! Quem conhece a Marina, pelo menos quem é cunhado mais novo dela, sabe que isso é muito difícil. Mas ela foi vitoriosa neste intento, graças a Deus.
Este post é na verdade o resultado desse fato como uma inspiração cotidiana! Eu achei um barato essa parada de não se estressar por um dia e resolvi montar umas rimas sem-vergonhas e fiz isso aí abaixo. Antes de ler saiba: não é de autoria de Vinicius de Moraes, portanto...
Só por hoje
Só por hoje, eu vou dizer SIM
Vou sair à rua
Tomar banho de chuva
Sentir o cheiro do capim
Só por hoje, não vou complicar tanto
Serei mais humano
E, para meu espanto
O Mundo se abrirá para mim
Só por hoje, não contarei as horas passadas
Mas sim, os minutos que faltam até o dia acabar
Fazendo com que eles se estendam ao máximo
Ao sentir o meu sincero pesar
Hoje conversarei com pessoas nas ruas
E tomarei todas as multas dos guardas da solidão
Que teimam em notificar os amantes
Que seguem pela contramão
Hoje eu não reclamo de nada
Nem da louça suja e muito menos das pessoas estúpidas
Que, frente a minha renúncia
Ficarão estupefatas
Hoje não grito, não berro
Hoje eu apenas sossego
Deito na rede e me entrego
Depois de ouvir tanto prego
Martelar minha paciência de ferro
Tentando me desconcentrar
Hoje sou só FELICIDADE
Rompo com todo lamento
Desamarro esse sofrimento
Solto o brado da garganta
Peço alguém em casamento
Faço o almoço e a janta
E não serei mais um sacripanta
Que se entrega à custa de nada
Hoje eu aceito a pedidos
Emprestarei meus ouvidos
A quem precisar ser ouvido
E exercitarei os sentidos
Com aquilo que o mundo oferece
Hoje, minha única mania
É aceitar a boa companhia
Daqueles que deixam saudades
Deixarei de dormir um instante
E, dessa maneira brilhante,
Viverei mais um instante
Guardado pra posteridade
Hoje, de novo criança
Sorrirei com força e vontade
Lutarei com toda esperança
Pra prolongar essa felicidade
É...
...já tô até sentindo saudade
André Patroni
03.08.2009
Campo Grande, MS
sexta-feira, 10 de julho de 2009
Entrevista com Marcelo Tas
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..........................................................................................................................................................................Por Marco Aurélio Fiochi | Fotos Cia de Foto
A intimidade de Marcelo Tas com os computadores vem de longe: começou em um aperfeiçoamento em cinema e TV na Universidade de Nova York (NYU), na década de 1980, tempos em que a informática não era assunto corriqueiro como é hoje e o PC nem sequer tinha sido inventado. Desde esse primeiro contato, que se deu por acaso, devido à curiosidade que herdara de sua formação em engenharia, Tas vem construindo com grande atenção sua presença virtual, que hoje é tão importante quanto a atuação como jornalista e comunicador de TV. Um ranking realizado em 2008, por exemplo, posicionou-o entre os três perfis mais seguidos do Twitter brasileiro, e sua participação na rede (com o blog marcelotas.uol.com.br) contribui para torná-lo um dos formadores de opinião mais importantes da atualidade no país. Âncora do programa semanal CQC, da Rede Bandeirantes, ele não credita sua participação bem-sucedida na internet a nenhuma fórmula mágica. "Quando as pessoas me falam 'você pauta, você traz notícias', digo que não. Só ouço com atenção o que me chega e separo o que acho relevante." Ao analisar o impacto da conectividade na vida das pessoas, Tas define o momento como uma fase de transição que a seu ver nunca terminará. "Estamos em um novo estado permanente, um mundo, literalmente, mais etéreo." O apresentador reforça ainda a importância da conexão através do olhar, do contato com o outro e com o próprio corpo como antídoto à sedução provocada pela conexão ultrarrápida da web. Em tempo: o título desta entrevista, cujas perguntas foram criadas por leitores da Continuum, é uma brincadeira com o número de seguidores do perfil @marcelotas no Twitter. Mas é bom ressaltar que, graças à popularidade de seu criador, esse enorme contingente de pessoas poderá já ter se alterado quando você estiver lendo esta edição.
Ao que você atribui o alto grau de participação dos brasileiros em redes sociais, se comparado ao restante do mundo? Seria carência social ou procura de identificação em nichos? (Arieta Arruda, Curitiba/PR)
Isso se deve a duas coisas: o Brasil tem uma distância intransponível, infinita do resto do mundo. É um país que se coloca espiritualmente longe de todos, de tudo, apartado do primeiro mundo. Tem complexo de cachorro magro e, ao mesmo tempo, a esquizofrenia de não se inserir na América do Sul. Com isso, despreza uma riqueza gigantesca que está ao seu lado, na Colômbia, na Argentina, no Chile, no Paraguai... A América do Sul tem uma história belíssima, muito próxima dos brasileiros, e nós estamos muito mais voltados para a Europa, os Estados Unidos, Miami, que é quase uma cidade brasileira. O outro motivo se resume numa palavra: gambiarra. Não faço um elogio ao precário e ao malfeito. Falo de quem consegue superar, com criatividade, nosso estado real. Não podemos perder de vista o fato de vivermos num país desigual, cheio de injustiças e dificuldades. Mas o brasileiro tem um afeto pela tecnologia; e a gambiarra é o drible tecnológico que dá em suas deficiências. É o puxadinho, a antena de TV com Bom Bril nas extremidades, o gato, o benjamim apinhado de tomadas, o remendo no fio do ferro de passar roupa ou do computador. O brasileiro abre o computador com a mesma intimidade que abre um Sonho de Valsa. A gente não tem pudor com a tecnologia. Quando se vê um europeu mexendo num equipamento, ele tem respeito, tem medo, não aperta qualquer botão. O comportamento do brasileiro facilita a profusão de pessoas que usam as redes sociais no país. É uma intimidade com o meio, com a tecnologia e, obviamente, um exercício natural da nossa sociabilidade. Adoramos conversar, contar as coisas da vida. Isso se reflete na internet.
Como você vê o impacto da conectividade na vida das pessoas? Até que ponto a superexposição causada pelos blogs, pelo Twitter e até mesmo pela TV é positiva? (Luciana Morgado, São Paulo/SP)
A superexposição é positiva até o ponto em que ajuda as pessoas a conhecerem-se a si mesmas. Somos nós que a geramos. Parece que isso é causado por algum vírus, algo que está dentro do computador e que puxa as pessoas. Quem não gosta disso não se mostra na internet, assim como não é visto nas revistas de fofoca, ou no Orkut, ou no Big Brother Brasil, ou numa festa. O mundo virtual é um reflexo do mundo real. Quem é exibido no mundo real terá essa característica potencializada no mundo virtual. Depende do discernimento de cada um usar as ferramentas virtuais e saber até onde quer se expor. É um mundo muito sedutor, mas que também pode ser nocivo.
Você acredita que os milhões de brasileiros que não possuem acesso à internet são representados hoje na mídia? Tenho a impressão de que redações jornalísticas, produtoras de vídeo e agências de comunicação se concentram mais no que é visto na web do que na vida real daqueles que não têm acesso à internet e que também têm interesses, necessitam de informações. (Simone Castro, Itajaí/SC)
Concordo em parte com esse pensamento, mas temos que enxergar a mudança gigantesca que vivemos. Eu era adolescente nos anos 1970 e 1980, quando a publicidade vendia uma marca de cigarros chamada Hollywood com o seguinte slogan: "O sucesso". As pessoas que apareciam naqueles comerciais eram atléticas, superbonitas. Aquilo significava sucesso, era uma mensagem muito direta. Hoje, isso não tem o menor espaço. As mídias não estão mais somente nas mãos do comercial de 30 segundos ou da primeira página da revista que estampava um maço de cigarros e alguém surfando numa onda gigantesca, com o slogan "O sucesso". Atualmente, existe uma representatividade muito mais ampla por meio da internet. Esse é um caminho sem volta. O cidadão participa mais, mesmo se levarmos em conta o baixo índice de acesso à rede - o que é relativo, porque no Brasil já se tem algo em torno de 60 milhões de internautas. Até o caboclo que vive a três horas de barco de Santarém, na Amazônia, é afetado pela rede. A notícia chega até ele numa velocidade como nunca chegou. Não porque ele acessa um site, mas porque o barco que vai até ele para levar gelo e sal leva também a informação que acabou de sair na internet.
Quando e como foi seu primeiro contato com a internet? (James H. Prado, São Paulo/SP)
Meu primeiro contato foi um susto. Ele aconteceu na década de 1980, quando ainda não se falava em computador. Eu fazia um curso de pós-graduação em cinema e televisão na NYU, em 1987, com uma bolsa de estudos da Fullbright. Em um departamento que havia nessa universidade, vi um dia caixas de computadores empilhadas, que eu não sabia o que eram. Fui bisbilhotar e descobri que nesse departamento havia um curso que estava ganhando muita força naquele momento, o Interactive Telecommunications Program. Não havia computador pessoal, só aqueles usados em universidades e empresas. Pedi a prorrogação da bolsa e fiz esse curso, em 1988, no qual tive acesso ao primeiro Macintosh. Eu levei um choque! A biblioteca da NYU já era totalmente on-line e nela podiam-se fazer pesquisas em rede, com cruzamentos, igual ao que se faz hoje com o Google. Eu passava horas lá fazendo cruzamentos de informações, para adquirir experiência e por perceber que aquela era uma ferramenta interessantíssima. Ao voltar para o Brasil, só conseguia conversar com pouca gente sobre essa rede. Tinha alguns amigos nerds naquela época, pois fiz engenharia na Poli [Escola Politécnica da Universidade de São Paulo], e só eles entenderam o que eu estava falando. Mudei-me para o Rio de Janeiro no começo da década de 1990, onde tive acesso ao primeiro provedor brasileiro, o da ONG Ibase [Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas], coordenada na época pelo Betinho [o sociólogo Herbert de Sousa]. O Ibase proveu acesso à internet ao público brasileiro, seus integrantes foram pioneiros. Meu primeiro e-mail foi da Alternex, o provedor de acesso do Ibase. Registrei esse endereço em 1992, logo no início, quando o serviço começou a funcionar.
Desde quando você usa o Twitter e como descobriu essa ferramenta? Você imaginaria que seria uma das pessoas mais seguidas no Brasil? (Bruno Daniel Puga, São Paulo/SP)
Nunca imaginei que isso fosse acontecer! Eu comecei a usar o Twitter em 2007. Quando surge uma ferramenta, eu sempre me registro e tento entender como ela funciona. Muitas delas não duram, mas as experimento e depois as esqueço. Percebo que algumas outras nasceram antes da hora, como o Second Life, no qual também me registrei e cheguei a usá-lo. Há ainda aquelas em que apostei muito que dariam certo e não deram, como o Joost, uma TV a cabo sem limites, de graça, na internet. Fui um dos primeiros a me registrar nele, mas não decolou. No caso do Twitter, sempre usei essa ferramenta muito intensamente, desde o começo. Em 2008, fiquei entre os três mais seguidos do Twitter brasileiro, o que foi um susto para mim, porque os outros dois são meganerds, que respeito muito, o Cris [Cristiano] Dias e o Carlos Merigo. Muita gente me pergunta como faço para ter tantos seguidores no Twitter. Penso que a gente imprime na rede a nossa experiência. Não há fórmula mágica. Às vezes, até se tem muita coisa para oferecer, mas não se sabe como. Talvez a linguagem não seja a mais adequada, ou a pessoa pode ser muito popular, mas a maneira como se comunica não é. O verbo da era em que vivemos é ouvir. Temos que aprender a ouvir, senão não sobreviveremos. Quando as pessoas me falam "você pauta, você traz notícias", digo que não. Só ouço com atenção o que me chega. Gasto muito tempo ouvindo e separando o que acho relevante. Não sou eu que sei de tudo, mas tenho uma rede poderosa de pessoas às quais ouço e respondo e que respeito. Eu me corrijo quando erro, brigo, debato, discuto... Acho que isso gera confiança nas pessoas para que me procurem e compartilhem informações comigo.
Até que ponto a utilização de redes sociais pode ser viável no desenvolvimento pessoal e profissional de uma pessoa, sem que ela seja prejudicada pelo excesso de informação e se perca no gerenciamento de sua "vida virtual"? (Daniel Medina, Jundiaí/SP)
Um bom termômetro são os olhos dos nossos filhos ou dos nossos melhores amigos. Para mim, o termômetro é a conexão afetiva. No dia que seu filho começar a achar que você é um idiota, é melhor tomar cuidado. Aliás, é melhor tomar cuidado antes disso. Não significa que dentro do computador mora um demônio, mas somos cobaias de uma fase de transição. É fácil ficar grudado nessa cola sedutora que é a conexão ultrarrápida. O que nos salva é que continuamos tendo de comer, dormir, cuidar do cachorro. Sugiro às pessoas: tenha um cachorro, um gato, de preferência filhos, namorados. Isso é o que importa no fundo. E as redes, meios de troca de informação, de imagem, devem servir a isso. Não é preciso separar uma coisa da outra. Há pessoas que falam: "Agora vou me desligar do computador". Isso é bobagem. Checar o Twitter, por exemplo, é muito rápido, não é uma violência.
O que você acha dos fakes [perfis falsos] espalhados pela internet, inclusive no Twitter? (Weslei Rodrigues, Antonio Carlos/MG)
Há dois tipos de fake. O primeiro é resultado de uma sátira, que pode ser muito legal. É o caso do Victor Fasano, o fake mais famoso do Twitter (@vitorfasano). Não é o ator real, todo mundo sabe disso, mas, sim, um personagem. Ele aborda a realidade pela ótica do Victor Fasano, faz comentários sobre tudo, o Lula, o Big Brother, a seleção brasileira, é genial. Acho que esse cara é um dos maiores comediantes do Brasil atualmente, e ninguém sabe quem ele é. Mas há um segundo tipo, que causa confusão no público. Já criaram fakes meus para oferecer ingressos para a gravação do CQC e para xingar pessoas. Quando há a conotação de falsear uma identidade, o público demora a perceber. E isso é crime. Há muita confusão devido à fase transitória em que vivemos. As pessoas acham que cometer tais ações na rede não é ilícito.
O impacto da incorporação da internet em aparelhos como celulares e TVs acarretará uma supervalorização da informação? (Adaildo Neto, Rio Branco/AC)
A informação sempre foi valorizada. Quem a processa ou a pesquisa tem poder, como os cientistas, os artistas. Eles detêm algo muito poderoso. O mesmo para quem detém a informação do espírito. Não é à toa o crescimento do número de igrejas, de terapias. Tem poder, também, aquele que procura aprofundar a informação. Ela não é mais um bem tão valorizado; o que tem valor é o conhecimento, que é como se aprofunda uma informação. Valem mais as conexões que se fazem entre os fatos do que os fatos em si. Muitos professores implicam com seus alunos por causa da internet, do celular. Eles deviam proceder de outra forma, pois têm uma chance raríssima de exercer apenas a função primordial de sua profissão, que é promover o debate, os insights, aprender junto, gerar o movimento do saber com seus alunos e não apenas trazer coisas para eles.
Como você analisa a prática do jornalismo no mundo contemporâneo e o diálogo dos profissionais da comunicação com as ferramentas modernas e com a sociedade? Percebe-se a pobreza de pautas, além da infinita reprodução de releases. Com tanta informação disponível a um clique, você acredita que os jornalistas estejam cientes de que seu papel está em processo evolutivo e que lhes será exigido mais apuração, mais pesquisa e mais riqueza em suas reportagens? (André Patroni, Campo Grande/MS)
Pode parecer paradoxal, mas creio que o jornalismo vive uma época de ouro. Apesar do sucateamento dos veículos de comunicação, há muita gente interessante que agora tem outros meios de fazer jornalismo. E há outras pessoas também interessantes que continuam a fazer o jornalismo tradicional. Podemos selecionar o que ler de uma maneira muito mais abrangente. O mundo está mais generoso com o talento das pessoas. Essa é mais uma característica dessa fase de transição de que falei há pouco. É uma transição que talvez não acabe nunca. Vivemos numa fronteira que não é e nunca será definida. Estamos em um novo estado permanente, um mundo, literalmente, mais etéreo, que escorrega, que não conseguimos pegar. Esse estado é, inclusive, mental, espiritual. Por isso, é importante a conexão pelo olhar, o contato com o outro e com você mesmo, com seu corpo. Hoje quase todos nós, invariavelmente, temos dores nos braços por ficar muitas horas em frente de um computador. É bom ouvir os sinais dados pelo corpo, pois tenho certeza de que daqui a cinco, dez anos a pauta da saúde vai ser uma pandemia de LER [lesão por esforço repetitivo].
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Aqui está o link desta entrevista: http://www.itaucultural.org.br/index.cfm?cd_pagina=2720&cd_materia=1030
Lá você também poderá ter acesso a outros conteúdos do material impresso.
